uma aldeia medieval na fronteira da Beira
Situada no concelho de Pinhel, distrito da Guarda, a aldeia de Souro Pires é um exemplo vivo da profunda ligação entre o mundo rural e a construção histórica de Portugal.
Embora hoje seja uma aldeia tranquila da Beira Interior, as suas raízes mergulham na reorganização medieval do território português e nas antigas estruturas senhoriais que marcaram a formação do reino.
Souro Pires na reorganização medieval do território
Após a consolidação da independência portuguesa, os séculos XIII e XIV foram decisivos para a organização administrativa das regiões de fronteira.
O reinado de D. Dinis foi particularmente importante na definição e estabilização das fronteiras com Castela. O Tratado de Alcanizes fixou definitivamente os limites territoriais, integrando de forma sólida a região de Pinhel no território português.
É neste contexto que pequenas aldeias como Souro Pires ganham relevância: eram parte da malha rural que sustentava economicamente e demograficamente o reino.
A importância estratégica de Pinhel
Durante a Idade Média, Pinhel desempenhou um papel estratégico como praça fortificada da Beira Interior.
A sua proximidade à fronteira tornava-a essencial na defesa do território, especialmente durante períodos de tensão com Castela. Aldeias como Souro Pires integravam essa rede rural que abastecia e apoiava os centros urbanos fortificados.
No século XV, sob os reinados de:
- D. João I
- D. João II
a centralização do poder real reforçou o controlo sobre a nobreza e reorganizou os domínios senhoriais da região.
Souropires fazia parte dos domínios administrados pelos Távoras até à queda da família após o chamado Processo dos Távoras, quando foram acusados de envolvimento na tentativa de regicídio contra o rei D. José I. Após a condenação, os bens da família foram confiscados pela Coroa.Os Távoras foram senhores de Souropires até 1759, ano em que perderam as suas propriedades devido ao Processo dos Távoras.
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